No julgamento que assegurei hoje, foi ouvido
como testemunha um ex-director geral de uma das marcas de carros para as quais
trabalho.
Não me lembro da idade certa que disse ter
mas, seguramente, já passou os 40.
Não é um homem especialmente bonito. Nem
simpático. Nem sequer agradável no trato. É perfeccionista,
arrogante, sobranceiro e com tiques óbvios de quem está habituado a mandar e a
não ser contrariado.
Uma das Advogadas que assegura o mandato da
minha co-parte, claramente experiente na barra, não conseguiu manter a calma e
em vários momentos foi evidente a antipatia que o Sr. Engenheiro lhe merecia.
Ao contrário da esmagadora maioria das
testemunhas, que se encolhe e se baralha perante o jogo típico dos advogados
durante as inquirições, este senhor manteve o semblante e o tom de voz inalterados, quem sabe
graças à disciplina férrea que a educação nos Pupilos do Exército lhe conferiu.
Eu, tola, dei por mim embevecida a olhar
para o palhaço emproado. A tentar adivinhar-lhe os pensamentos, o perfume e a marca dos botões de punho.
Por vezes, a minha idiotice parece não
conhecer limites.