quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fake Empire

No julgamento que assegurei hoje, foi ouvido como testemunha um ex-director geral de uma das marcas de carros para as quais trabalho.
Não me lembro da idade certa que disse ter mas, seguramente, já passou os 40.
Não é um homem especialmente bonito. Nem simpático. Nem  sequer agradável no trato. É perfeccionista, arrogante, sobranceiro e com tiques óbvios de quem está habituado a mandar e a não ser contrariado.
Uma das Advogadas que assegura o mandato da minha co-parte, claramente experiente na barra, não conseguiu manter a calma e em vários momentos foi evidente a antipatia que o Sr. Engenheiro lhe merecia.
Ao contrário da esmagadora maioria das testemunhas, que se encolhe e se baralha perante o jogo típico dos advogados durante as inquirições, este senhor manteve o semblante e o tom de voz inalterados, quem sabe graças à disciplina férrea que a educação nos Pupilos do Exército lhe conferiu.
Eu, tola, dei por mim embevecida a olhar para o palhaço emproado. A tentar adivinhar-lhe os pensamentos, o  perfume  e a marca dos botões de punho.
Por vezes, a minha idiotice parece não conhecer limites.

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