De um momento para o outro o que julgamos certo e seguro foge-nos debaixo dos pés.
Se formos espertos, reinventamo-nos. Se formos neuróticos, deixamos que o pensamento circular nos faça ruminar até à exaustão em tudo o que foi, tudo o que poderia ter sido e tudo o que acabou por não ser.
Ganhamos rugas, cabelos brancos e cicatrizes feias. Ganhamos medo, desconfianças e imunidade.
Crescemos. Voltamos atrás e somos garotos. Achamos que morremos, que somos os maiores, duvidamos da nossa sanidade mental e da de toda gente que se chega perto. Aceitamos meias soluções, coisas provisórias, corremos atrás de cadáveres, choramos mortes já matadas, morridas e enterradas. Criamos carapaças. Somos fortes, fracos, vencemos tudo, sucumbimos a uma leve brisa. E choramos. Muito.
Crescemos. Voltamos atrás e somos garotos. Achamos que morremos, que somos os maiores, duvidamos da nossa sanidade mental e da de toda gente que se chega perto. Aceitamos meias soluções, coisas provisórias, corremos atrás de cadáveres, choramos mortes já matadas, morridas e enterradas. Criamos carapaças. Somos fortes, fracos, vencemos tudo, sucumbimos a uma leve brisa. E choramos. Muito.
No final o que sobra? O melhor de nós? Não. Continuo a achar que o melhor de nós se perde, recua e se esconde num qualquer lugar de acesso restrito. Que algum dia poderá ou não ser recuperado.
Mas fica a ânsia pela felicidade, pela libertação maior que, no fundo, é já em si a felicidade.
No imediato, no entanto, não vemos nada disso. Vemos só as filhas da putice que nos fizeram. Ignoramos as que fizemos e que contribuíram tanto ou mais para o ponto em que estamos.
Andamos assim tempos infinitos, sem disponibilidade para nada ou ninguém que não o sofrimento e o azedume que nos guia os dias e nos destrói as noites de sono.
Um dia acordamos e não dói da mesma forma.
Está lá mas não se sente. Deixa de ser determinante, de ter importância.
Aos poucos, tudo volta a fazer sentido.
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