E se eu voltasse aqui, 9 anos depois?
Tea for Clarity
terça-feira, 4 de abril de 2023
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Sinto saudades do Perigo (?)
Vivi efectivamente muito nestes dois últimos anos. Fiz coisas que deveria ter feito há uma década ou mais.
Conheci pessoas, perdi-me de outras. De amigos verdadeiros e dos outros. Apaixonei-me. Ainda agora não sei se voltei a amar... Há dias em que acredito que nunca me deixaram... noutros tenho a certeza que eu própria não me permiti.
Encerrei capítulos e tornei-me mais tolerante, ainda que por vezes isso me tenha feito menos ambiciosa. Acho que vivo bem com isso e com as opções que tomei.
Fiz 35 anos há dias. Por vezes já lhes sinto o peso... Não propriamente como peso de idade ou corpo gasto mas sim como maturidade que nem sempre sei gerir.Em dias como o de hoje, a minha vontade maior é largar essa suposta maturidade e o sentido de dignidade que me impõe. E arriscar de novo feita doida.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Uma questão de perspectiva
Enquanto descia a Rua da Rosa, a chuva miudinha entrava lentamente nas ondas do cabelo e deixava um sem número de pequenas gotículas nas lentes dos óculos.
Eu sorria e interiormente concordava: sim, de facto já vivi muito.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Therapy
Hoje de manhã deixei o carro na oficina.
Só mo devolvem amanhã ao final do dia.
À parte do receio de precisar de ir largada para algum lado e não saber bem como, a verdade é que consegui fazer a minha vida normal sem grandes sobressaltos: fui a pé da oficina para o escritório; de metro para o Chiado em final de dia e de comboio para casa depois de fazer o que me tinha levado ao Bairro.
Com tudo isto, terei gasto talvez mais meia-hora do que gastaria a fazer os mesmos percursos de carro.
Apercebi-me, como me apercebo sempre que acontece algo semelhante, de um sem número de coisas que me vão escapando dia após dia, virtude da opção comodista que assumi há anos, de não abdicar do conforto que é não andar de transportes públicos.
Por ser praticamente Natal, há luzes, enfeites, árvores, anjos e estrelas por todo o lado. Apesar de andar toda a gente num frenesim de loja em loja, a esmagadora maioria parece-me de bem com a vida. De mão dada com maridos e namorados, ao telefone com amigos ou simplesmente a passear. E dou por mim a pensar que vida terão entre portas. Que pensamentos lhes ocuparão as noites. Que alegrias terão para contar ou que mágoas tentarão esconder.
Certo é que não param. Não deixam de viver, de tentar, de procurar melhor ou quem sabe só diferente.
E dou por mim a pensar se vale a pena ponderar tanto. Se é mesmo necessário ter tantos medos e sofrer por coisas tão pequenas. Se vale a pena dar tanto espaço ás rugas e aos cabelos brancos.
Tudo acaba bem.
Se ainda não está bem, é porque ainda não acabou.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Fake Empire
No julgamento que assegurei hoje, foi ouvido
como testemunha um ex-director geral de uma das marcas de carros para as quais
trabalho.
Não me lembro da idade certa que disse ter
mas, seguramente, já passou os 40.
Não é um homem especialmente bonito. Nem
simpático. Nem sequer agradável no trato. É perfeccionista,
arrogante, sobranceiro e com tiques óbvios de quem está habituado a mandar e a
não ser contrariado.
Uma das Advogadas que assegura o mandato da
minha co-parte, claramente experiente na barra, não conseguiu manter a calma e
em vários momentos foi evidente a antipatia que o Sr. Engenheiro lhe merecia.
Ao contrário da esmagadora maioria das
testemunhas, que se encolhe e se baralha perante o jogo típico dos advogados
durante as inquirições, este senhor manteve o semblante e o tom de voz inalterados, quem sabe
graças à disciplina férrea que a educação nos Pupilos do Exército lhe conferiu.
Eu, tola, dei por mim embevecida a olhar
para o palhaço emproado. A tentar adivinhar-lhe os pensamentos, o perfume e a marca dos botões de punho.
Por vezes, a minha idiotice parece não
conhecer limites.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Alea Jacta est
De um momento para o outro o que julgamos certo e seguro foge-nos debaixo dos pés.
Se formos espertos, reinventamo-nos. Se formos neuróticos, deixamos que o pensamento circular nos faça ruminar até à exaustão em tudo o que foi, tudo o que poderia ter sido e tudo o que acabou por não ser.
Ganhamos rugas, cabelos brancos e cicatrizes feias. Ganhamos medo, desconfianças e imunidade.
Crescemos. Voltamos atrás e somos garotos. Achamos que morremos, que somos os maiores, duvidamos da nossa sanidade mental e da de toda gente que se chega perto. Aceitamos meias soluções, coisas provisórias, corremos atrás de cadáveres, choramos mortes já matadas, morridas e enterradas. Criamos carapaças. Somos fortes, fracos, vencemos tudo, sucumbimos a uma leve brisa. E choramos. Muito.
Crescemos. Voltamos atrás e somos garotos. Achamos que morremos, que somos os maiores, duvidamos da nossa sanidade mental e da de toda gente que se chega perto. Aceitamos meias soluções, coisas provisórias, corremos atrás de cadáveres, choramos mortes já matadas, morridas e enterradas. Criamos carapaças. Somos fortes, fracos, vencemos tudo, sucumbimos a uma leve brisa. E choramos. Muito.
No final o que sobra? O melhor de nós? Não. Continuo a achar que o melhor de nós se perde, recua e se esconde num qualquer lugar de acesso restrito. Que algum dia poderá ou não ser recuperado.
Mas fica a ânsia pela felicidade, pela libertação maior que, no fundo, é já em si a felicidade.
No imediato, no entanto, não vemos nada disso. Vemos só as filhas da putice que nos fizeram. Ignoramos as que fizemos e que contribuíram tanto ou mais para o ponto em que estamos.
Andamos assim tempos infinitos, sem disponibilidade para nada ou ninguém que não o sofrimento e o azedume que nos guia os dias e nos destrói as noites de sono.
Um dia acordamos e não dói da mesma forma.
Está lá mas não se sente. Deixa de ser determinante, de ter importância.
Aos poucos, tudo volta a fazer sentido.
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